Faltou o Chateaubriand

dezembro 8, 2007

Minha amiga Jane anda sumida. Soube que ela ficou super estafada e ainda está sem tempo de escrever aos amigos por causa da estréia da TV Brasil, coincidindo com a inauguração da TV Digital no país, no domingo passado.

Com uma série de matérias publicadas em todos os jornais e revistas sobre as inovações tecnológicas da nova TV e o barulho feito na imprensa por conta do preço do setop box – o aparelhinho que vai permitir que todos os brasileiros tenham acesso ao sinal digital – Jane chegou a imaginar que haveria uma explosão de gente acompanhando pela TV o início da transmissão digital.

O que se viu foi um espetáculo melancólico no teatro municipal de São Paulo. Apresentadores representando todas as redes de televisão abertas leram os textos inaugurais. O Presidente da República também falou, bem como os ministros das pastas diretamente envolvidas. Discursos óbvios.

O inusitado foi nenhuma das redes de televisão transmitir a cerimônia ao vivo. Somente a TV Brasil abriu espaço em tempo real para o lançamento do sinal de televisão digital em São Paulo. Ela mesma, a tv pública, que naquele 02 de dezembro assumiu o controle dos canais da TVE Brasil – no Rio de Janeiro e no Maranhão – e da TV Nacional de Brasília, antes operada pela Radiobrás, com uma programação especial, sobre o chamado campo púbico de televisão.

Curiosamente, a TV Brasil foi a única emissora aberta a não ter sua logomarca impressa na bancada de inauguração da TV Digital. Também foi a única rede a não enviar um de seus apresentadores para participar da cerimônia naquele domingo em São Paulo.

E a tal TV Digital? É boa mesmo?

Jane diz que ninguém sabe, porque ninguém viu.

Quando Assis Chateaubriand inaugurou a TV no Brasil em 1950, mandou vir 200 aparelhos dos Estados Unidos para distribuir entre os amigos e instalar em praça pública. Assim, garantiu que pelo menos algumas pessoas tomariam conhecimento da novidade.

Para inaugurar a TV Digital faltou quem tivesse a mesma visão.

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