Ninguém sabe, ninguém viu

março 18, 2008

Minha amiga Jane voltou de férias e anda vendo a TV Brasil todos os dias. Confessou que está gostando de algumas coisas, detestando outras e satisfeita com o que permanece igual: os programas.

O Re(corte) Cultural está lá, igual. O Comentário Geral permanece afiado. O Supertudo dá as melhores dicas culturais, e ainda tem as observações poéticas do Saltimbanco. O Sem Censura passa todos os assuntos a limpo. A programação infantil também é a mesma: Janela Janelinha, Menino Maluquinho, Turma do Pererê.

Nada mudou. E tudo é diferente.

Sem contar a domingueira Revista Brasil e o telejornal Repórter Brasil, o que mudou na programação da TV Brasil em relação à antiga TVE foram os intervalos.

A elegante vinheta branco e amarela com o “e” estilizado da TVeducativa foi aposentada. O visual que embala a programação da TV Brasil, o chamado on air look, empreteceu o fundo da tela e trouxe de volta sementes, fibras, arte popular, paisagens, frutas e animais que já frequentaram os intervalos da emissora, em priscas eras. Jane acredita que isso é proposital para marcar a ruptura total com o branco da extinta TVE Brasil.

A interprogramação também é nova. A cada intervalo, uma personalidade da vida cultural declara seu apoio à iniciativa de criação da tv pública. Legal. O problema é a vinheta que empacota os depoimentos. Pobrezinha que só ela, com aquela florzinha de jasmim manga sobre fundo verde.

Melhor não comentar a logomarca. Aquele lettering azul não merece ser levado a sério.

Agora que a MP que criou a TV Brasil foi aprovada, pode ser que a programação também comece a mudar. Jane disse que vai ficar atenta. E tomara que alguém se lembre de fazer uma divulgação decente e antecipada do que vai ser transmitido. Se não, a TV Brasil nunca será vista. O público jamais saberá de sua existência.