E por falar em Carl Sagan…

julho 12, 2008

Minha amiga Jane se lembra bem da época em que poucos cientistas tinham coragem de falar com a imprensa. A maioria dos pesquisadores temia ter seu trabalho distorcido, grosseiramente simplificado, ou receava ser criticado por seus pares ao dar entrevistas ou, principalmente, aparecer na televisão.

Carl Sagan era diferente. Não só falava quando procurado, mas também acreditava na popularização da ciência e na importância da participação dos cientistas nesse processo. Além de escrever diversos livros de divulgação científica, apresentou a série Cosmos, da BBC, uma das precursoras do gênero na televisão mundial.

O resultado de uma pesquisa publicada esta semana (11 de julho) na Science dá mostras de que esse tabu está sendo progressivamente quebrado. Um grupo de estudiosos da comunicação liderado por Hans Peter Peters ouviu 1300 cientistas de cinco países (EUA, Inglaterra, França, Alemanha e Japão) sobre suas relações com a imprensa. A maioria dos cientistas ouvidos (57%) considera positiva sua última experiência com a mídia e somente 6% ficaram insatisfeitos com os resultados da divulgação de seu trabalho.

O estudo indica que os cientistas finalmente percebem a importância da imprensa no reconhecimento público da pesquisa científica e, ainda, que as relações entre cientistas e jornalistas são mais respeitosas e profissionais.


Saudade de Carl Sagan

julho 10, 2008

Um extraterrestrre, recém-chegado à Terra – examinando o que em geral apresentamos às nossas crianças na televisão, no rádio, no cinema, nos jornais, nas revistas, nas histórias em quadrinhos e em muitos livros – poderia facilmente concluir que fazemos questão de lhes ensinar assassinatos, estupros, crueldades, superstições, credulidade e consumismo. Continuamos a seguir esse padrão e, pelas constantes repetições, muitas das crianças acabam aprendendo essas coisas. Que tipo de sociedade não poderíamos criar se, em vez disso, lhes incutíssemos a ciência e um sentimento de esperança?

(Carl Sagan, 1996)