Televisão aberta tem pouca ciência

maio 5, 2009

Num país de dimensões continentais como o Brasil, a televisão assumiu a função de meio difusor de informações, linguagens, hábitos e idéias para um público que passa, em média, quatro horas por dia atento às transmissões da “telinha”, numa experiência coletiva diária de representação e construção da realidade.

Minha amiga Jane gosta de dizer que na sociedade brasileira contemporânea, com todos os seus segmentos de público que se destacam pelas particularidades etárias, socioeconômicas e regionais, a realidade passa a ser o que aparece na TV aberta, especialmente no telejornalismo, que cria e dá visibilidade aos fatos do cotidiano.

Atualmente, sete redes de televisão estão autorizadas pelo governo a transmitir programação em canal aberto e gratuito. Seis delas são comerciais: Rede Globo, Rede TV!, Rede Bandeirantes, CNT, Sistema Brasileiro de Televisão – SBT – e Rede Record. Uma é pública: a TV Brasil, inaugurada em 02 de dezembro de 2007.

Minha amiga Jane, sempre atenta à programação exibida por essas concessões públicas,  resolveu contar quantas horas a televisão brasileira destina a programas sobre ciência, tecnologia e meio ambiente.

Ela somou os tempos das grades de programação das emissoras de canal aberto e gratuito, publicadas nos jornais de grande circulação no Rio de Janeiro. A descoberta não poderia ser mais desconcertante: as emissoras brasileiras gratuitas destinam 6,5 horas semanais à transmissão de programas sobre ciência, tecnologia e meio ambiente.

Sem saber se isso é muito ou pouco, resolveu contar também quantas horas as emissoras usam para transmitir programas religiosos.  Jane quase caiu sentada: são 190 horas semanais!

A simples comparação desses dois dados mostra que a população brasileira está muito mais exposta a conteúdos de caráter religioso do que aos temas científicos. Já pensaram na contribuição que a televisão está dando à formação das novas gerações?

Religião, violência, sexo e corrupção. É o que as nossas crianças aprendem na TV aberta todos os dias. É o tipo de sociedade que estamos construindo.

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