Ninguém pode tossir na rua

agosto 21, 2009

Semana passada, minha amiga Jane caminhava pela Teodoro Sampaio, em São Paulo, quase seis da tarde, tropeçando nas pessoas que saíam do trabalho e lotavam a calçada, as esquinas e os pontos de ônibus.

Jane ia apressada. Estava atrasada para um encontro real com uma amiga virtual, a Isis, editora do xisxis, um site de divulgação científica. Tinham marcado às seis e Jane tinha certeza de que não chegaria a tempo, não com aquele monte de gente no meio da rua.

Ia pensando num livro da jornalista Laurie Garrett, que leu há muitos anos, sobre as doenças emergentes, causadas pela proliferação dos vírus, neste mundo sem controle imunológico: Ebola, Lhasa, H5N1, a gripe aviária, H1N1, ou Gripe Suína e o mais temido, HIV.

De repente, ficou sem fôlego. Faltava muito, ainda, para chegar à Livraria da Vila. Com a garganta seca e sentindo que ia sufocar, Jane começou a tossir. Uma, duas, três vezes.

Nesse momento, percebeu que as pessoas se afastavam dela, abriam espaço na calçada, olhando de cara feia e tampando o rosto.

Só então, Jane se lembrou do pânico que está sendo provocado pela gripe suína. Todo mundo com medo do vírus da Influenza A.

Respirou fundo, recuperou o ar e aproveitou que todo mundo se aglomerava nas laterais se afastando dela, para seguir seu caminho sem impedimentos, morrendo de rir.