O cérebro de Einstein no banco de trás

Hoje, mais uma vez, acordei com o som estridente do telefone. Tenho dormido pouco e, nessas circunstâncias, sete  da manhã é madrugada. Minha amiga Jane estava muito irritada. 

– Com tanta coisa acontecendo e você não atualiza esse blog? Não tem desculpa. Escreva. Quem mandou inventar?

Sem graça, enfiei o rabinho entre as pernas e dediquei a manhã a lembrar coisas que aconteceram na última semana e que poderia comentar por aqui.

Como sempre, dúzias de assuntos vieram à cabeça. Mas a correria me fez optar pelo mais simples. Meus milhares de leitores vão me perdoar, mas preciso dizer algumas coisas relativas à matéria de capa da Veja, sobre o cérebro de Einstein.

Muito bem ilustrada, com infográficos e entrevistas com os principais pesquisadores que, até hoje, tentam desvendar as razões da genialidade do cientista, a matéria não cita o excelente livro da jornalista Carolyn Abraham, publicado em Português em 2005, pela Relume Dumara.

O livro reportagem de Carolyn, Viajando com o Cérebro de Einstein, conta as aventuras e desventuras do guardião do cérebro, o patologista chefe do Hospital de Princeton, Thomas Harvey, que fez a necrópsia do cientista, em 1955, e surrupiou o cérebro, sem pedir permissão a ninguém.  Aliás, nem a família sabia que ele tinha roubado as 1230 gramas de tecido do órgão responsável por pensamentos que revolucionaram muito do que a humanidade sabia sobre a natureza.

Carolyn conta em seu livro como Thomas Harvey serrou o crânio de Einstein, retirou o cérebro, guardou num vidro e levou para seu laboratório na universidade. Depois, fotografou, pesou, mediu, embalsamou e cortou o tecido em mais de 200 pedaços, que passou a distribuir para pesquisadores que pudessem se interessar em descobrir as razões da genialidade do cientista.

A famosa massa encefálica viajou por diversos estados norteamericanos no banco de trás do carro de Thomas Harvey e fatias de tecido foram enviadas para pesquisadores de vários países, do Canadá ao Japão, passando pela Europa e pela Índia. 

Mas, até hoje, nenhum dos estudos feitos revelou pistas ou razões  anatômicas capazes de explicar a profusão de pensamentos geniais oriundos daquele mesmo cérebro.

O repórter de Veja, Leandro Narloch, revisou o estado da arte das pesquisas sobre o cérebro do mais popular dos cientistas em oito páginas da revista, além de ouvir outros especialistas. Nada de muito novo. Bem no estilo da revistona.

De qualquer forma,  a cara de Einstein com a língua e o cérebro à mostra nas bancas de jornais, bem durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, deve ajudar a vender muita revista.

Anúncios

3 Responses to O cérebro de Einstein no banco de trás

  1. Oba! Ela atualizou. Atualize sempre! Não vi ainda a matéria da Veja, verei… (vi/veja/verei, que sucessão infame…)

  2. Esse livro deve ser interessantíssimo mesmo! Se vc tiver, me empresta depois?
    Eu estou precisando de uma amiga Jane para me ajudar a atualizar também os meus blogs. rsrs
    Beijos

  3. Alessandra disse:

    Ah, mas vende revista mesmo! Ainda mais essa que vc citou..rs. Vi umas pessoas comentando na fila do supermercado. Disseram que a matéria “era muito boa”. Mas até esqueci de conferir. E agora que li sua análise nem vou ler..rs. bjs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: