Não votou? Melhor pagar a multa

novembro 1, 2012

Eu gosto de votar. Votaria se não fosse obrigatório. Votei em todas as eleições, desde que me entendo por gente.
Na última eleição municipal, não consegui votar. Estava em Cantagalo e não cheguei a tempo na minha zona eleitoral, a quarta do Rio de Janeiro.
Fiquei preocupada. Se você não está em dia com o TRE, não pode renovar passaporte. Sem passaporte, eu me sentiria aprisionada em solo pátrio.
Semana passada, depois de consultar o site e imprimir o requerimento de justificativa, me muni dos documentos comprobatórios e marchei para a zona eleitoral mais próxima.
Fui atendida por um rapaz muito simpático e falante. Foi logo explicando que eu não poderia justificar a ausência porque o sistema ainda não tem a indicação de quem votou e quem não votou. Ou seja, a ASE: Anotação do Sistema Eleitoral não está atualizada. Enquanto isso não acontece, nada pode ser feito.
Quando pegou meu título, o funcionário percebeu que aquela onde eu estava não era a minha zona eleitoral. Para justificar o voto, eu teria que ir para a minha zona, no Jardim Botânico, ou providenciar cópia de toda a documentação para ser enviada pelo Correio pelo próprio TRE.

Depois da explicação, funcionário foi logo aconselhando:

– Se eu fosse a senhora, pagava a multa. Vai sair mais barato para o seu bolso e para o Pais.

– Como assim, “para o País”? – perguntei.

– É que daqui de Copacabana, vamos ter que enviar seus documentos para o Jardim Botânico, pelo Correio, e o juiz eleitoral de lá, vai ter que enviar sua decisão para a sua casa. Somando as despesas de Correio, mais despesas de fotocópia, vai custar uns dez Reais. A multa custa só três Reais e o certificado sai na hora.

– Está bem – eu disse. Pago agora, então.

– Ah, não pode – disse o rapaz. Temos que esperar que o sistema esteja atualizado, com a ASE, o que só vai acontecer mais ou menos duas semanas depois do segundo turno.

Ou seja, não votei, não posso justificar, não posso pagar a multa.

E o site do TRE continua dando informações incompletas para a população.

Passada a tempestade, tudo volta ao Anormal.

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As meias, os meios e as mídias do Ministro

novembro 22, 2009

Evoé! Evoé! Evoé! clamava José Celso Martinez Corrêa ao saudar, com uma taça de vinho tinto, o início do Seminário Internacional do Fórum da Cultura Digital Brasileira.

Baco e outros deuses e orixás atenderam ao chamado e estiveram conosco nos últimos quatro dias. Circularam pelos galpões da Cinemateca Brasileira. Fizeram fervilhar nossos cérebros. Facilitaram a conexão e iluminaram os contatos, recados, carinhos, pensamentos e ideias que trocamos. Todo mundo junto e remixado. Seres humanos resignificados. Com música. Muita música.

Vídeos, fotos e textos foram disparados rede afora e incluíram milhares de pessoas nas conversas dos auditórios. Geraram terabytes de informações. Um importante acervo multimídia sobre o processo de construção de uma política pública para a cultura digital brasileira nos próximos anos.

O Fórum deixa importantes definições e uma agenda política para o MinC, com tarefas hercúleas como o marco legal da Internet; a discussão da Lei do direito autoral; um plano nacional de banda larga e outro para digitalização de acervos.

No encerramento do “espaço físico do ciberespaço”, como Cláudio Prado nomeou o Fórum, o Ministro da Cultura usou todos os meios disponíveis, mostrou as meias e falou mal da televisão aberta. Também deu o mote para o melhor trocadilho do evento, outro de Cláudio MacLuhan Prado, super tweetado no mundo virtual: “a meia é a mensagem”.

O Ministro, a meia, os meios, a mídia, a massa, a maldita televisão.

O que fica é a memória. Aquilo que é preciso organizar e preservar para as futuras gerações. A prova irrefutável do processo participativo de construção da política que queremos para a cultura digital. Não podemos permitir que se perca na pressa, ou que seja engolida pela pressão eleitoral.


Ciência na escola: feira de conhecimentos

outubro 28, 2009

Sábado foi dia de feira de arte e ciência em várias escolas da cidade do Rio de Janeiro. Estive em uma delas, acompanhada de minha amiga Jane, prestigiando as apresentações das crianças da família.

A fila de adultos no portão já indicava a afluência maciça de pais, tios, avós e simpatizantes, como era o nosso caso. Cartazes, faixas e balões coloridos indicavam as instalações e experiências. Arte e ciência juntas pela educação.

Logo na entrada, tapetes de grama sintética levavam a bacias de plástico com areia, barro, terra preta, plantas ou água para recriar ambientes naturais, que podiam ser penetrados. Ao longo dos corredores e das salas, outros objetos estranhos como  bólides, relevos espaciais e parangolés estavam por toda parte. Revelavam a maior inspiração da mostra: a obra de Hélio Oiticica,  apreendida nas aulas de artes.

No salão principal, as turmas de segundo ano trabalharam com o tema “‘Vida combina com…” . Os mais crescidinhos, do terceiro ano, convidavam para “Um passeio entre histórias e noções de Astronomia”.

Jane ficou apaixonada pela turminha que explicava quais são os componentes do solo da Lua, manipulando um modelo de isopor e massinha plástica colorida. Outro aluno mostrava imagens das crateras abertas por meteoros no solo lunar e falava com intimidade sobre a camada de poeira que cobre a superfície do satélite natural da terra.

Todos os trabalhos apresentados eram coletivos e as crianças se alternavam nas explicações, recitando as frases que lhes cabiam e cutucando os próximos que deveriam completar o sentido dos textos.

Alunos da quarta série trabalharam com o tema “Entrando no Clima”. Ganhei uma medalha que dizia “você é uma pessoa verde”, porque acertei várias perguntas de um jogo sobre o tempo necessário para degradar plástico, papel, latas de alumínio, filtros de cigarro e outros materiais na natureza.

As turmas de quinta série fizeram um zoom “Do gigantesco ao microscópico”, com direito a modelos de astros e toda uma escala de objetos e seres, só visíveis com lupa ou microscópio.

Ao longo da exposição, fui me lembrando de um texto de Edgard Roquette-Pinto, que li em O Pequeno Cientista Amador. Dizia assim:

“…os métodos de ensino são anacrônicos, atrasados, rudimentares e incompletos, incapazes de formar cidadãos dignos da época, eficientes e fortes, em condições de lutar vantajosamente com as dificuldades da vida moderna, em que, pelo formidável impulso do progresso, o conhecimento da natureza é questão fundamental.”

Conhecido por ter participado do grupo que introduziu o rádio no Brasil, Roquette-Pinto era antropólogo, educador e divulgador da ciência. Trabalhou com museus, rádio e cinema educativo. O texto citado foi extraído de um artigo de seu livro Seixos Rolados, publicado em 1927, com o título A História Natural do Pequeninos. Nele, Roquette-Pinto sugere que os professores proporcionem a seus alunos o contato com a natureza. E recomenda:

“O primeiro passo valioso deve ser dado familiarizando a criança com o meio. Que contra-senso falar aos pequenos de um elefante antes de lhes mostrar as diferenças e semelhanças existentes entre um cão e um gato!”

Creio que Roquette-Pinto teria aprovado as feiras de artes e ciências das escolas cariocas. E teria ficado feliz se elas fossem mais abundantes e frequentes, em todo o país.


EWCLiPo

setembro 29, 2009

Minha amiga Jane ligou bem cedo, hoje de manhã, curiosa sobre o encontro de blogueiros científicos em Língua Portuguesa, no fim de semana, em Arraial do Cabo. Foi bom?

Há muitos anos não participo de um encontro tão informal, estimulante e divertido.

Começou na sexta-feira, com uma palestra sobre Ciência e Culinária, de Milton Moraes, Confraria da Boa Companhia, que deve ter sido deliciosa. Mas eu tinha compromisso no Rio e não pude ir.

Cheguei no sábado de manhã, já no meio da fala da Sonia Rodrigues, do sei mais física, mas ainda deu para saber das dificuldades que ela enfrenta ao incentivar jovens de periferia, com inteligência acima da média, a entrar na universidade. Os alunos carecem de recursos para transporte e para usar o computador nas lan houses, o que é indispensável para cumprir o programa proposto.

Perdi a palestra do Mauro Rebelo, do Você que é Biólogo, organizador do evento. Uma pena. Queria muito conhecer as dicas para escrita criativa em ciências.

A palestra do Carlos Cardoso, o primeiro blogueiro profissional que já tive o prazer de conhecer, foi muito engraçada. Ele afirmou que é possível ganhar algum dinheiro com blogs e contou como fazer para atrair paraquedistas, aumentar o fluxo ao blog e acumular uns tostões com banners, posts pagos, links patrocinados, comissões, consultoria. Bons conselho$.

O administrador do ScienceBlogs Brasil, Carlos Hotta, do Brontossauros no meu jardim, falou sobre a experiência compartilhada no novo conglomerado virtual. Ele informou que serão abertas inscrições para acesso ao condomínio, mas sugeriu outras iniciativas de união de blogs por conteúdo. O Science Blogs Brasil reúne 29 blogs, com 31 blogueiros super ativos – com muitos posts originais e bem escritos –  critérios indispensáveis para a aceitação no grupo.

Depois do almoço e do check-in na simpática Pousada do Capitão, foi a vez de Osame Kinouche, do SemCiência, contar que existem cerca de 250 blogs científicos ativos. Uma festa pra quem tem tempo de navegar e gosta de ler sobre ciência.

A essa altura do relato, minha amiga Jane perguntou, como já o fez Caetano: caramba, quem lê tanta notícia?

A falta de hierarquia, controle ou regulação no meio virtual foi abordada na palestra de Leandro Tessler, do Cultura Científica, com o título Anti-ciência. Não entendi direito, mas fiquei com a impressão que ele advoga algum tipo de controle social da blogosfera, para evitar criacionismos, fundamentalismos, charlatanismos e outros ismos. Uma idéia que não combina com o território livre da Internet.

Ildeu Moreira e Luiza Massarani não apareceram no encontro. Por isso, a apresentação do Bernardo Esteves, da Ciência Hoje on line, prevista para domingo, foi antecipada. Bernardo citou a máxima do Marcelo Leite: o papel do jornalismo em ciência é tornar interessante o que é importante e não tornar importante o que (só) é interessante. Ele também anunciou uma iminente reforma no site do CH on line. Uma ótima notícia. Estava mesmo precisando.

O domingo foi reservado para a discussão de quem deve divulgar a ciência: os cientistas ou os jornalistas. Suzana Herculano-Houzel, A Neurocientista de Plantão, e Alessanda Carvalho, do Karapanã, ofereceram argumentos diferentes para reafirmar que a divulgação científica deve ser feita, e bem feita, por todos.

Chegou a minha vez de falar e eu nem fiquei muito nervosa. Mostrei um monte de vídeos e meus dados de acompanhamento da ciência na televisão. Acho que o pessoal gostou, especialmente da comparação entre o total de horas dedicadas por semana à ciência: 8h30 e à religião: 190 horas.

Maria Guimarães, da Revista Pesquisa, da FAPESP, contou como um cientista decide o que pesquisar e como um jornalista decide o que publicar. A estética e o método. A síntese que me ocorre é: paixão.

A última palestra foi feita pelo Fábio Almeida, do Ciencine, e trouxe a contribuição da ciência na criação do cinema. Ótimas imagens da pesquisa sobre o movimento com animais e pessoas. Teria o cinema sido inventado por um biólogo? Mas o ponto alto da palestra foi a exibição de um depoimento do precursor da divulgação científica no Brasil, o mestre José Reis. Pura emoção!

Ano que vem, estarei lá, em Sampa. Me aguardem!


Ciência pelos blogs

setembro 23, 2009

Quando minha amiga Jane soube que eu aceitei falar sobre televisão num encontro de blogueiros de ciência, achou que eu tinha enlouquecido.

– E o que você vai dizer para esses blogueiros? Esse pessoal não vê televisão. O negócio deles é internet – Jane fez questão de sublinhar.

Fiquei uma semana apavorada, navegando por vários blogs de ciência. Queria saber o que pensa esse pessoal ou, pelo menos, como eles se mostram na rede.

Aprendi um monte de coisas nos blogs de ciências. Por que São Paulo Alaga; as bases bioquímicas do Mal de Alzheimer; como o vento pode alimentar a China (e salvar o clima da terra); como os genes podem determinar o ateísmo. Os blogs são muitos, diversos e fartos em informação.

Será que esse pessoal tem mesmo interesse pelo que se passa na televisão?

Vamos ver no segundo Encontro de Weblogs Científicos em Língua Portuguesa (II EWCLiPo), de 25 a 27 de setembro em Arraial do Cabo-RJ.

Confira a programação aqui.


Ninguém pode tossir na rua

agosto 21, 2009

Semana passada, minha amiga Jane caminhava pela Teodoro Sampaio, em São Paulo, quase seis da tarde, tropeçando nas pessoas que saíam do trabalho e lotavam a calçada, as esquinas e os pontos de ônibus.

Jane ia apressada. Estava atrasada para um encontro real com uma amiga virtual, a Isis, editora do xisxis, um site de divulgação científica. Tinham marcado às seis e Jane tinha certeza de que não chegaria a tempo, não com aquele monte de gente no meio da rua.

Ia pensando num livro da jornalista Laurie Garrett, que leu há muitos anos, sobre as doenças emergentes, causadas pela proliferação dos vírus, neste mundo sem controle imunológico: Ebola, Lhasa, H5N1, a gripe aviária, H1N1, ou Gripe Suína e o mais temido, HIV.

De repente, ficou sem fôlego. Faltava muito, ainda, para chegar à Livraria da Vila. Com a garganta seca e sentindo que ia sufocar, Jane começou a tossir. Uma, duas, três vezes.

Nesse momento, percebeu que as pessoas se afastavam dela, abriam espaço na calçada, olhando de cara feia e tampando o rosto.

Só então, Jane se lembrou do pânico que está sendo provocado pela gripe suína. Todo mundo com medo do vírus da Influenza A.

Respirou fundo, recuperou o ar e aproveitou que todo mundo se aglomerava nas laterais se afastando dela, para seguir seu caminho sem impedimentos, morrendo de rir.


Sigo Pegadas

outubro 30, 2007

Minha amiga Jane ficou sabendo do curso que dei na Comunicação da PUC-Rio e insistiu em ver os vídeos dos alunos. Eu não queria mostrar sem falar com os autores, mas me lembrei que eles mesmos colocaram o material na rede no final do semestre.

Jane ficou íntima do You Tube na época do Tapa na Pantera e, desde então, tem participado de inúmeras experiências no campo audiovisual.

Este trabalho pode ser chamado de experiência. Antonio, Ana Rosa, Jonas e Sérgio se juntaram ao acaso. Movidos pelo desafio de produzir um vídeo de um minuto sobre o tema que melhor lhes aprouvesse, cometeram a pérola aí embaixo. Criativo, divertido, irreverente. Uma homenagem Ao Pé.