O cientista no cinema

dezembro 9, 2009

Ao ler o post do Ciência na Mídia sobre o documentário de James Cohen, Homo Sapiens 1900, minha amiga Jane lembrou que já escrevemos e publicamos muitas coisas sobre a ciência e a imagem do cientista no cinema. Mas não aqui, neste blog. Então vamos brincar de memória um pouquinho.

As primeiras representações de cientistas aparecem no cinema no início do século XX, ao mesmo tempo em que se faziam as experiências precursoras de produção cinematográfica, geralmente documentando a realidade. Quem começou essa história foi o cineasta francês Georges Méliès (1861-1938). Desde de 1896, Méliès explorava as possibilidades do novo invento para contar suas histórias. Ele gostava de experimentar. Além de usar luz artificial em suas filmagens, desenvolveu recursos técnicos e de linguagem, com movimentos de câmera e efeitos especiais.

O experimentalismo técnico levou Méliès a ficção científica. Le voyage dans la lune (Viagem à Lua), de 1902, marca a primeira representação de cientistas na história do cinema.

Veja aqui, com narração em francês

O filme começa com uma reunião da Academia de Astrônomos da França. Os cientistas discutem a idéia de uma viagem à Lua.  Engraçado observar como os cientistas da ficção de Méliès são representados como sábios ou bruxos. As roupas dos membros da Academia dos Astrônomos são muito semelhantes às dos magos e feiticeiros dos romances de capa e espada. Seria Merlin a fonte de inspiracão?

Após brigar e jogar artefatos e projetos uns nos outros, os cientistas decidem experimentar a aventura. Trocam as vestes por roupas de expedição e embarcam para a Lua. Ao explorar a superfície, acabam atacados pelas criaturas habitantes do satélite e são levados ao Rei da Lua. Aprisionados, os cientistas conseguem fugir e despencam de uma montanha em direção à terra, onde a cápsula em que viajavam – sim, muito semelhante às cápsulas usadas na missão Apollo – cai no mar para ser resgatada por um navio – outra semelhança com as missões da Nasa.

No início do século XX, Méliès pode ter antecipado equipamentos que seriam utilizados cerca de 50 anos mais tarde. Reparem nas cenas de construção da nave.

Depois de Méliès, a imagem do cientista no cinema mudou muito. Mas isso é assunto para outros posts.


Saudade de Carl Sagan

julho 10, 2008

Um extraterrestrre, recém-chegado à Terra – examinando o que em geral apresentamos às nossas crianças na televisão, no rádio, no cinema, nos jornais, nas revistas, nas histórias em quadrinhos e em muitos livros – poderia facilmente concluir que fazemos questão de lhes ensinar assassinatos, estupros, crueldades, superstições, credulidade e consumismo. Continuamos a seguir esse padrão e, pelas constantes repetições, muitas das crianças acabam aprendendo essas coisas. Que tipo de sociedade não poderíamos criar se, em vez disso, lhes incutíssemos a ciência e um sentimento de esperança?

(Carl Sagan, 1996)